O Alto Alentejo acolhe este fim-de-semana a 40ª edição da BP Ultimate Baja Portalegre 500, com temperaturas invulgarmente altas para o mês de outubro. As pistas secas e poeirentas puseram à prova pilotos e máquinas logo neste primeiro dia. No fim, quem sorriu foram João Ferreira e Filipe Palmeiro, em Toyota Hilux EVO.
A dupla começou da melhor forma, com o tempo mais rápido no prólogo de cerca de cinco quilómetros, garantindo, assim, a prioridade na escolha da posição de partida para a tarde. Sainda na frente do pelotão, Ferreira notou que, com o piso tão seco, o troço “parecia ainda mais sinuoso”, mas isso não o impediu de ser o mais rápido, mas não conseguindo escapar a um momento de suspense: Os ingleses Sean Haran e Martin Hales, em Polaris RZR Pro R, cruzaram a meta com um tempo inferior e chegaram a assumir o comando, contudo a alegria durou pouco: não respeitaram uma neutralização obrigatória, foram penalizados em 3m24s e caíram para fora do top-10.
Ferreira, por seu lado, preferiu a prudência: “Na primeira parte do setor, só queríamos sobreviver e passar sem bater. Correu tudo bem, sem erros e a verdadeira prova só começa amanhã.”Luís Cidade e Valter Cardoso, em BRP Can-Am Maverick R, estão bem colocados no 2.º lugar, a apenas 25,3s, e entram para o segundo dia em plena discussão pela vitória. Ricardo Porém (Taurus EVO Max), que procura o quinto triunfo em Portalegre, fecha o pódio provisório, mas já a 54,6s do topo.No evento nacional, Lino e Fábio Carapeta (Ford Ranger) destacam-se com quase dois minutos de vantagem sobre Sérgio Matos e Sebastião Dominguez (Toyota Hilux).
Se houve classe em que cada décima contou, foi nos SSV. Roberto “Beto” Borrego e Domingos Cunha (Polaris RZR Pro R) ganharam o prólogo por escassos 0,3 segundos. O resultado deu confiança ao piloto de Ponte de Sor, que voltou a ser o mais rápido à tarde e terminou o dia com 53,9s de vantagem sobre Tiago Guerreiro e Carlos Paulino, em carro igual. Os líderes do campeonato, Pedro Antunes e Nuno Batalha, também em Polaris, terminaram em 3.º, a 1m04,2s.
Borrego mostrou-se satisfeito e ambicioso: “Não arriscámos muito. Adotámos um ritmo forte e constante. Amanhã é que é o dia principal.” Fã assumido de piso seco, admitiu que as condições lhe agradaram e não esconde o objetivo: chegar às dez vitórias em Portalegre.
Para assinalar as quatro décadas da clássica alentejana, alinharam também carros clássicos e o Troféu UMM. Pedro Correia da Silva e Luís Resende (Toyota Land Cruiser) lideram entre os clássicos, enquanto João Couto e João Santos estão na frente da prova dedicada ao todo-o-terreno português.
Amanhã há dois setores seletivos para os automóveis, que totalizam praticamente 360 quilómetros ao cronómetro
Micael Simão não deixou dúvidas sobre as suas intenções para esta BP Ultimate 40ª Baja 500 Portalegre. O piloto da KTM 500 EXC, que procura a segunda vitória na carismática prova alentejana, foi o mais rápido no prólogo e repetiu a dose no primeiro setor seletivo.
Gustavo Gaudêncio, em Honda CRF 250RX, foi quem melhor respondeu ao ritmo do líder e parte para o segundo dia a 17,1s. Bernardo Megre (KTM 450 EXC) completa o pódio provisório, a 41,9s.
Apesar da liderança, Simão confessou que o dia não foi fácil. O percurso seguia de frente para o sol ainda baixo, o que lhe dificultou a visão e o levou a falhar várias curvas. “Também não terei feito a melhor escolha de óculos”, admitiu. Preferiu gerir e poupar energia: “Amanhã são quase 300 quilómetros e o objetivo é atacar para lutar pela vitória.”
Entre os quads, a história do dia tem um nome: Tomás Paulo. Em Yamaha YFZ450R, venceu o prólogo por 4,7s sobre Luís Fernandes, em máquina igual, e depois aumentou ainda mais o ritmo no setor da tarde. Resultado: terminou o dia com uns impressionantes 1m51,6s de vantagem. A toada foi tão alta que, numa classificação conjunta de motos e quads, Paulo seria... o primeiro!
O próprio desvalorizou as dificuldades de apanhar motos pelo caminho, sobretudo nas zonas mais encadeadas: “Basta ter um bocadinho de paciência porque a prova é para todos. Foi uma etapa gira, apesar do pó. Que venha mais, amanhã.”
Os aspirantes que alinharam na Mini Baja mostraram vontade e que são garante do futuro da modalidade. Na zona do prólogo, mais de meia centena de jovens entre os 8 e os 16 anos disputaram as corridas da Mini Baja, com o desportivismo como regra principal. Foi uma tarde animada que terminou com divertida entrega de prémios já ao cair da noite.
Para os homens das duas rodas, o segundo dia arranca cedo: às 7h50 partem as primeiras motos, com as categorias Promoção e Hobby a abrir caminho. Ao todo, serão mais de 270 quilómetros.